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Sair

Estava com vontade de sair. Aquele caminho foi certamente o mais feliz que fiz. Fechei a porta como de costume, e na janela a senhorinha passou o olho por mim. Meu boa tarde saiu ineficaz. Provavelmente não ouviu. Mas o vento era fresco, a calçada mal tinha pedras fora do lugar. O asfalto mais parecia um tapete. A poucos metros eu já enxergava a placa vermelha com um ‘m’ inscrito nele.

Eu não sabia para onde ele iria, com quem falou, onde pisou. Ouvi as risadas de longe; saboreei aquele som como quem precisava de um copo d’água num dia quente. Mas eu estava com vontade de colocar o pé para fora, sentir a rua, o barulho das pessoas e o som de uma cidade se mexendo.

O mundo é grande, igual sorriso de gente alegre. A combinação de luz do sol com os dentes de quem sabe que é feliz trouxe vontade de viver para quem achava que tudo já tinha acabado de vez. A vontade de viver foi o que sempre me salvou.