Daniel Santos

Lifelong learner. Reflexões, textos, cotidiano, etc.

Luke, our cute Yorkshire dog, all groomed up and beautiful.

Luke, depois de ter tomado seu banho e passado por sua tosa regular. Finalmente mais parecido com ele mesmo do que com aquele outro personagem de Star Wars… 😂😂😂

...ou alguns pensamentos sobre a maior festa popular brasileira, enquanto ainda é terça-feira de Carnaval.

Eu sou assim: me digam onde está acontecendo uma daquelas folias de Carnaval, que eu vou imediatamente começar a rumar na direção contrária. Não gosto, nem nunca gostei de muvuca. Então é natural que na hora em que as pessoas pegam o caminho do salão de festas, eu fique na minha.

Que eu me lembre, mesmo quando criança, nunca consegui ver a graça do Carnaval. Eu cheguei a ir a algumas matinês, levado ao clube pelos meus pais — lembro até mesmo de uma fantasia do Homem Aranha que usei. Mas ficar no salão ouvindo marchinha e jogando confete e serpentina pra cima simplesmente não me despertava a emoção que tanta gente parece sentir.

Não me leve à mal, Carnaval. Não é você, provavelmente sou eu mesmo.

Pegar fila em estrada lotada, onde o trânsito para? Enfrentar falta d’água, falta de energia, fila do pão, fila do mercado, crise pra estacionar? Hmmm, não. Eu passo, muito obrigado.

Ficar assistindo desfile pela televisão? Escola de samba após escola de samba? Samba enredo um depois do outro? Ouvir comentarista de desfile? Hmmm, não. Eu passo, muito obrigado.

Para mim há apenas um aspecto bom do Carnaval: já que o país inteiro para por cinco dias inteiros — considerando a quarta-feira de cinzas, e eu paro junto, aproveito a folga do Carnaval.

Nessa folga, faço tudo o que tenho direito, pinto e bordo do meu jeito.

Eu aproveito para recarregar minhas baterias, então durmo bastante. Aproveito para colocar meu consumo literário em dia — entre a sexta-feira passada e hoje, quando estou escrevendo esse texto, por exemplo, consegui terminar de ler dois livros inteiros no Kindle. E continuei um terceiro.

Aproveito para maratonar minhas séries. As do momento são The Last of Us e Spy x Family. Vários episódios assistidos e tempo de tela muito melhor aproveitado por nós aqui em casa do que se estivéssemos “olhando a Beija Flor aí, gente”!

Aproveito para pensar. Me organizar. Me renovar. Aproveito cada minuto a meu favor, da melhor maneira possível. E se você é da bagunça, da folia, da farra... do Carnaval no sentido mais popular e convencional, está tudo bem. Porque se há uma coisa verdadeira sobre essa festa popular é que ela é democrática pra caramba, então tem para todos os gostos.

Aproveita daí, que eu aproveito daqui 😊

Trinity

Terminal output

Hoje, 19 de fevereiro, só que em 1998, a hacker Trinity enfrenta duas unidades de oficiais da polícia e entra em combate direto com os sinistros programas de computador sencientes conhecidos como Agentes (The Matrix, 1999).

De uma postagem do Mastodon:

Google is now effectively useless as a means of finding information on the web. Its first priority is to deliver ads, not information. Its default assumption is that every time you search for a thing, you're intending to purchase that thing or other similar things.

The internet needs to be shut down, torn down, and reassembled from the dirt up.

E vocês sabem quem são.

Comecei 2022 em uma outra realidade, um outro lugar, vivendo um dia-a-dia diferente deste nosso.

Eu estava longe de vocês, só que dentro de mim nunca parou de pulsar essa vontade muito grande de retomar a parceria. Eu nunca tirei da cabeça a possibilidade de voltar a emprestar este meu par de braços e esta minha cabeça fervilhando de ideias para um time que sempre me fez sentir orgulho de pertencer.

Dizem que o que desejamos com muita força tem poder. E eu acredito do fundo do meu coração que foi isso que me permitiu reencontrar vocês. Fui lembrado, mesmo longe, por aquilo que fiz no passado e fui convidado a voltar, convite que aceitei prontamente. E voltando, fui abençoado em diversos aspectos.

Reencontrei vocês. Amigos de longa data, com quem aprendi muito no passado e com quem realizei grandes feitos. Agora posso estar ao lado de vocês novamente. E quero construir feitos e resultados ainda maiores.

E conheci vocês. Pessoas fantásticas com quem ainda não tinha tido o prazer de trabalhar e que, mesmo passados ainda poucos meses, me dão a sensação de já conhecê-los de longa data. Alguns aí, que me desculpem qualquer coisa, mas eu preciso reconhecer que a sinergia que conquistamos é bonita de se ver e traz uma energia fantástica que alimenta e sustenta o dia-a-dia de quem tem a chance de estar com vocês.

Eu só tenho o que agradecer a todos vocês. Eu termino 2022 muito mais feliz do que comecei, e muito mais enriquecido intelectualmente, profissionalmente e pessoalmente. Se isso aconteceu, é porque Deus me permitiu reencontrar alguns de vocês e também encontrar alguns de vocês pela primeira vez. Como eu sempre disse durante toda a minha vida, costumo ter muita sorte com quem Deus coloca em meu caminho.

Obrigado a todos vocês. E obrigado a você.

Que o seu Natal seja abençoado, cheio de fartura e da proximidade com seus familiares e outras pessoas igualmente queridas. Que ele te traga muitos presentes bons. Que ele seja repleto da Paz de Deus.

Que o seu ano que vem seja desafiador, recompensador, de crescimento, sucesso e, acima de tudo, de muita felicidade. Que em seu caminho Deus coloque pessoas tão sensacionais quanto você mesmo. Que Ele também permita que você e sua família sejam iluminados e abençoados com muita paz e realizações.

Boas festas. Vocês podem contar comigo em 2023.

Você pode contar comigo.

Obrigado do fundo do coração.

Daniel

Entrou com a mesma pressa de todos os dias na padaria, atrasado, sem qualquer tempo a perder. Nem notou quando o balconista lhe deu bom dia, porque o relógio no pulso era mais importante e lhe dizia que tinha só cinco minutos até a reunião começar. Pediu um pingado e pão na chapa, olhou de novo o horário, um minuto a menos de folga.

Sua sorte era que seu escritório era do outro lado da rua.

O mesmo balconista lhe trouxe o pingado tampado para viagem, e ele foi logo saindo, dispensando o pão na chapa sem se dar conta. Três minutos faltando e ele resolveu atravessar a rua correndo. Não viu o motoqueiro, que o atingiu em cheio e o arremessou longe, destampando o pingado e espalhando o líquido pra tudo que foi lado. Caiu e bateu a cabeça, e nem a pressa, nem o atraso, nem nada (nunca) mais lhe passou pela mente.

Deixou mulher e dois filhos.

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De todas as características dela que alguém poderia se lembrar se perguntado, certamente a tremenda disciplina que ela tinha para fazer tudo em sua vida seria a mais citada.

No entanto, Mônica se perguntava onde estava toda a disciplina de que ela precisava quando ia cozinhar. Simplesmente não tinha a menor noção de como fazer isso, por mais que fosse neta de uma das melhores cozinheiras que já tinham conhecido.

Aliás, dona Alice fazia cada prato de dar água na boca de qualquer um. Sua mãe, Dalva, era outra que também se virava muito bem com as panelas, com os ingredientes, quaisquer que fossem eles. Das duas, só poderia se esperar mágica culinária. Mas seus respectivos talentos não tinham sido passados para ela.

“Tudo bem, o delivery existe pra essas pessoas que nem eu, posso sempre pedir comida”, ela sempre pensou. E sempre pediu comida fora mesmo; conhecia até alguns entregadores da região pelo nome, tamanha a frequência com que fazia isso.

Mas naquela noite era diferente. Nunca considerou que não saber cozinhar direito fosse questão de tamanha gravidade — questão de vida ou morte, até — na sua vida.

Culpa do Rodrigo. Quando ele começou a trabalhar no mesmo time que ela, 3 meses atrás, achou ele maravilhosamente lindo, mas sabia que nunca teria nenhuma chance com ele, até o dia, no começo deste mês, em que ele e ela começaram a conversar no elevador do edifício do escritório. Desde então as conversas e os horários de ambos estavam cada vez mais sincronizados.

E foi durante uma dessas conversas, segunda agora, que ele perguntou se ela gostaria de sair para jantar. Atônita, surpresa, quase gaguejando na verdade, Mônica aceitou o encontro, mas acabou dizendo que podiam se encontrar na casa dela mesmo, que ela faria o jantar pros dois.

O elevador se abriu naquela hora e ele simplesmente disse que estava combinado, então. Cada um foi para o seu lado e ela achou a coisa muito romântica. Jantarzinho pra dois. Que romântico.

Que romântico mesmo.

Pra quem sabia cozinhar.

E onde ela, totalmente o oposto de alguém assim, estava com a cabeça naquela hora, não é mesmo? Pensou em dizer pra irem jantar fora mesmo, em dar uma desculpa, mas desistiu. E a vergonha que passaria? Não senhor.

Agora estava na cozinha. O caderno de receitas de dona Alice, daqueles encapados com plástico quadriculado e com as folhas até meio amareladas, já, escrito todo com caneta esferográfica, estava aberto na página onde tinha uma receita de tortilla de batata.

Sendo alguém que adorava aquele prato de sua avó quando era criança, era natural para Mônica achar que repetir a receita por conta própria seria mais fácil. Memória afetiva pode ajudar, achava que tinha ouvido alguém dizer num desses reality shows culinários da TV.

Ovo, cebola, cebolinha, pimenta do reino, sal, azeite. Tudo já batido e misturado — e quase não tinha feito sujeira no chão e na bancada enquanto preparava tudo. Um progresso! Agora, com a frigideira já aquecida, despejou a mistura e deixou tudo em fogo alto.

Foi até a sala e pediu à Alexa que tocasse música romântica daquele cantor que ela sabia que Rodrigo e ela gostavam. Imaginou-se dançando com ele ali mesmo, os dois juntinhos.

A campainha tocou. Com certeza era ele. Ela abriu a porta, deu-lhe um beijo no rosto e pegou a garrafa de vinho que ele trouxe. Pediu que ele esperasse no sofá, que ela já ia servir tudo. Afinal, a mesa estava posta desde que horas? 16:00?

Queria muito que as coisas dessem certo com Rodrigo. Era tão gentil, bonito, inteligente. Mas sabia que tinha que ir com calma. Devagar. “Para chegar ao topo”, seu disciplinado eu interior lhe lembrou, “deve-se começar de baixo”.

Como o fogo em que se devia cozinhar a tortilla, segundo sua avó Alice tinha escrito em seu caderninho. Detalhe que só agora ela tinha se dado conta de ter confundido. A tortilla dela estava à mercê do fogo alto.

Mônica correu até a cozinha e fez com que Rodrigo, sobressaltado, se levantasse de onde estava e fosse atrás dela. Quando ele chegou à cozinha, se deparou com Mônica, que só faltava chorar sobre o leite derramado… ou sobre a tortilla queimada, mais exatamente.

Desconsolada, ela olhou para Rodrigo tentando esconder sem sucesso o quanto estava envergonhada. Ele primeiro só a olhou. Depois abriu um sorriso que ela acompanhou, e que um segundo depois se transformou em gargalhadas.

“Desculpa, na cozinha eu sou mais perdida que cego em tiroteio… como deu pra você perceber”.

Naquela noite, acabaram comendo pizza mesmo. Pedida via delivery. Entregue rapidinho, aliás, pelo Marcelo, um de seus conhecidos que trabalhavam com entrega. E foi o melhor encontro da vida de Mônica, e de Rodrigo.


Criei este texto como uma espécie de exercício de escrita a partir de 8 palavras aleatoriamente geradas via internet que eu destaquei em negrito para referência.

Nunca fiz isso, e nunca compartilhei publicamente. Mas gostei do exercício, pois provoca a mente e a criatividade. Devo tentar repetir a dose regularmente.

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I came across this quote earlier today, while researching about the expert’s fallacy and how all of us are subject to it.

First I thought the quote was from Oscar Wilde, the Irish writer, as it is attributed to him very much often. But what do I know? I fell for the same fallacy and ended up finding out it’s actually a quote from J. M. Barrie, the English playwright behind the wonderful Peter Pan.

As someone deeply interested in — but almost completely new to — the subject of lifelong learning, I saw this sentence as completely fit to the theme. It is now side by side with my (other) favorite quote to date, from René Descartes, French mathematician who said “I would give everything I know for half of what I ignore”.

Young people — or anyone new to a subject or activity, actually— tend to assume a position of confidence in knowing “all” about that subject, or, at least, knowing more than they actually know about it. Only as we grow older, or more experienced and move from beginners to experts in our careers, do we tend to admit that we don’t know — and couldn’t ever be able to know — everything there is to know.

And this is what I found is so brilliant about the quote which titles this text. It’s an advice to all of us who are aware of not knowing everything. It is an advice to keep humble, to keep in mind there will always be oceans of knowledge to sail, and to keep learning.

Minha avó era costureira das boas, e durante muitos anos dar aulas de costura foi o que ela fez para criar minha mãe e meus dois tios no interior do estado de São Paulo.

Morando com minha mãe depois que ela e meu pai se casaram, tive oportunidade de ver ela costurando em casa: fazia roupas pra fora e roupas pra mim e minha irmã também. Visitava as lojas de tecido na nossa cidade e comprava metros de pano com os quais produzia suas obras de arte. Me lembro especialmente dos fantásticos pijamas de flanela que ela criava pra gente e que eram tão quentinhos no inverno.

Saudades da minha avó.

Fast forward to 2022. Em busca de alguém que pudesse reformar uma camisa social de manga longa que eu adoro, para transformá-la em camisa de manga curta, encontrei uma costureira no bairro vizinho, com quem deixei a camisa.

Hoje fui buscar a camisa e, enquanto falava com a costureira, contei pra ela sobre a minha avó, e sobre como eu admiro quem sabe costurar.

Ela me disse algo que é a mais pura verdade: praticamente ninguém mais se interessa por aprender a costurar, e em 20 anos ou menos, a profissão dela e da minha avó terá praticamente desaparecido.

“No futuro”, ela disse, “as crianças de hoje mal saberão trocar a resistência de um chuveiro, que dirá saberem costurar”.

Concordei. E deixei mais três camisas para reformar e buscar na semana que vem.

Saudades da minha avó.