#001350 – 16 de Maio de 2023
Sabrina Jalees faz-me rir de mim, da minha sexualidade, do meu género, do meu preconceito, vira tudo ao contrário e volta a misturar, com melhor cor e forma.
Sabrina Jalees faz-me rir de mim, da minha sexualidade, do meu género, do meu preconceito, vira tudo ao contrário e volta a misturar, com melhor cor e forma.
O caril de camarão e a pavlova de frutos vermelhos da minha mãe. As viagens só se completam com o regresso a casa e eu estou grato pela minha família. Devo-lhes a minha sanidade, o seu amor.
Arroz de espadarte e bife de albacora na Ribeira Grande, no Ildeberto. Depois um salto às Caldeiras. Adiamos, nostálgicos, a ida, o mais que podemos. Ponta Delgada está em festa. O senhor Marco, da Auto Ramalhense, é de uma enorme simpatia, durante o transfer para o aeroporto. Fomos sempre muito bem recebidos e até ao irmos embora nos tratam de forma calorosa. São Miguel é um lar de afectos, um sítio cheio de gente boa. Há que voltar muitas vezes.
Praia do Fogo com tempo de verão. Sangue no braço depois de me enrolar numa onda e raspar em seixos. Peixe espada preto grelhado no restaurante Ponta do Garajau, ao lado da Ribeira Quente. Os plátanos da margem direita têm os ramos entrelaçados, o casario faz lembrar um presépio, lembra uma moradora. Seguimos para Povoação e Nordeste, passamos ao largo de Água Retorta e Faial da Terra. Visitamos de novo o senhor Jorge, no Cantinho do Cais, para mais um Molho de Peixe. Comemos umas queijadas caseiras e bebemos aguardente Mulher do Capote. Tínhamos assistido ao primeiro pôr-do-sol, que aqui da costa norte parecia quase descer a meio do mar. Quando voltamos a casa vêem-se muitas estrelas. Trazemos meia garrafa de Picomel, que o senhor Jorge fez questão de nos oferecer, e o coração cheio.
Visita à Gorreana. O Sr. João vê-nos a tentar entrar pelo sítio errado e oferece-se para nos ajudar. Trabalha ali há 53 anos. É um mestre no que toca ao processo do chá. Acaba por nos fazer uma visita improvisada, explicando-nos cada passo, cada máquina e muitos detalhes da sua vida e da sua experiência. Comovemo-nos com a generosidade daquele homem e a sua vontade de ensinar o muito que sabe. Uma moça da Maia reconhece-nos e fica a conversar, já vizinha depois de mais de uma semana a ver-nos no supermercado local, a Casa Cheia. Voltamos às Furnas, de dia. Vemos as fumarolas, vamos à lagoa e damos um salto a Vila Franca do Campo, antes de ir comer de novo ao Tony's. Eu tinha enchido o cantil de água azeda, de uma das nascentes termais. Soube-me bem, a sal e minério. Ao rever vídeos das caldeiras, a cor de ferrugem e o muito fumo, sinto sinestesicamente o sabor a enxofre. Amanhã é a véspera do voo para o continente.
Piscinas naturais das Calhetas da Maia, com bom tempo e água fria da nascente doce que vai ter ao mar. Depois um passeio de duas horas no barco do Pedro, o pescador da rua ao lado da nossa. Saímos de Porto Formoso e visitamos as grutas que do Miradouro de Santa Iria ou da Ponta do Cintrão não se vêem. A câmara filma peixes sem nos apercebermos. É tudo deslumbrante e imenso, basalto negro, grotas, barrancos, enormes fendas por onde a água da chuva escavou em direção ao mar. Desta vez do lado do mar, vemos a Praia dos Moinhos e uma boa parte da costa norte, para nascente e poente. Afastamo-nos uns dois quilómetros. Passa uma tartaruga, há umas aves mais pequenas que as gaivotas a planar junto à água e o Atlântico em volta impressiona. Regressamos e em Porto Formoso está um cisne negro que o Pedro diz ali ter chegado há uns seis meses. Diz-nos também que os pescadores alimentam há cinco anos uma gaivota que não consegue voar e que assim fez daquele porto seguro. Já em terra, vamos até à Achadinha para jantar no Poço Azul. Comemos seitan com molho à regional, tão bom como o da Associação Agrícola, polvo à lagareiro e bife de espadarte. E vem ainda para a mesa uma panacota de maracujá. Falam-nos da Ribeira de Caldeirões que é perto aqui da Maia e que ainda não conhecemos.
Banho de cascata no Salto do Cabrito. A caminho da Lagoa de São Brás, vemos a ordenha móvel das vacas, uma e outra vez. Chegamos perto da água e uma família de 6 patos sai da margem, aproxima-se de nós sem medo e enternece-nos muito. Ao regressarmos devagar, pela estrada esburacada, coelhos surgiam, a caminho das tocas. Quando viramos para a casa de pasto O Amaral, escutamos badalos, passam um rebanho de cabras, um pastor a cavalo e um cão de fila açoreano.
Trilho da Praia da Viola. Borboletas e abelhas, capuchinhas em flor e chorões. Azenhas em ruínas, o canto de muitos pássaros e de água a correr. Ao lanche, queijo da ilha, pão lêvedo e Kima de maracujá. À noite, uma pratada do delicioso Molho de Peixe, servido com pão torrado, no Cantinho do Cais. Antes do regresso vários cálices de Picomel.
Dia de preguiça. Sono trocado. Jantar junto ao Atlântico, essa estranheza de não haver pôr do sol, porque estamos virados a Norte.