Kroeber

#000514 – 14 de Abril de 2021

No início do livro o George Steiner diz que não temos mais inícios. A melhor maneira de abolir um obstáculo é transfigurá-lo num paradoxo.

#000513 – 13 de Abril de 2021

O medo dormir comigo é impossível de evitar. Mas posso deixá-lo debaixo da cama, em vez de o levar a passear, empestando o dia.

#000512 – 12 de Abril de 2021

Não há volta a dar: a política é um veneno e o seu próprio antídoto.

#000511 – 11 de Abril de 2021

Abro um livro do Alberto Pimenta. O prólogo ocupa uma página e está assinado. Parece-me um autógrafo, foco melhor o olhar: lê-se “O Autor”.

#000510 – 10 de Abril de 2021

The Wasp Factory faz mais sentido agora que li Galileo's Middle Finger.

#000509 – 09 de Abril de 2021

Voltaram os calos. E redescubro a minha feliz ignorância da guitarra.

#000508 – 08 de Abril de 2021

Nas ondas, corpo deslizando à velocidade da espuma, o estrondo do mar.

#000507 – 07 de Abril de 2021

Regressa o surf. Sonho em pedalar até à Nazaré para ir ver as ondas.

#000506 – 06 de Abril de 2021

Ao contrário da experiência do cinema, a leitura é uma imersão lúcida. Consideremos um filme e uma história escrita diferentes formas de alucinar. Então o cinema seria um psicadélico e a literatura meditação. Um filme produz, na nossa percepção, a viagem, a narrativa, a atmosfera, as sensações. Uma história escrita conduz-nos, como a voz de um guru, para que possamos a seguir ter a autonomia de nos apercebermos dos nossos pensamentos. A falta de controlo do espectador no cinema, em que tudo acontece sem que o possamos desligar ou interromper, é gratificante. E é muito diferente da forma de sonhar de olhos abertos na leitura, em que temos noção ao mesmo tempo da realidade e da alucinação. Escrever é deixar um rastilho que arde do sonho à realidade e que nem ter de ser aceso. Ao ler, basta intuir a intensidade da ignição.

#000505 – 05 de Abril de 2021

Quase Maio. Quase feliz. Dedos doridos. Cabeça dormente.