view#001095 – 30 de Agosto de 2022
Referindo-se à forma como a tecnologia digital nos estimula e influencia, diz Aza Raskin: “Empathy, as beautiful as it is [...], is also the biggest backdoor into the human mind. And loneliness is going to be every country's largest national security threat”.
view#001094 – 29 de Agosto de 2022
Kalaripayattu e Yoga. Kung Fu e Tai Chi. É tão bizarro dizer arte marcial como seria dizer guerra artística. O que é ainda mais estranho é que estas artes do movimento, com o tempo, sobretudo se passou muito tempo, transformaram-se numa prática desportiva ritualizada, executada num fundo de espiritualidade e filosofia. As formas de combate modernas, tendo uma génese mais ligada ao desporto de entretenimento ou ao treino do soldado, são pragmáticas e agressivas. No karaté, o corpo que recebe, ukemi, é central, é isso que se treina, acima de tudo. Pensando em Sambo ou Krav magá, pensamos no corpo que ataca, num soldado a derrotar um inimigo, possivelmente a matá-lo. A história do Yoga e do Tai Chi estão ligadas à história das artes marciais, guerra gerou paz. Quando pensamos no UFC ou no jiujitsu brasileiro, pensamos em lutas de rua, em eficácia violenta. Até no Karaté e no Kung Fu surgiram estilos como o Kyokushin e o Wing Chun em que o pragmatismo leva ao foco no impacto da ação que se aplica no adversário. A beleza do Aikido é quase etérea, de tão diretamente artística e desligada da violência do combate. Escuta-se Bruce Lee a falar do seu Jeet Kune Do e pensa-se em situações reais em que precisamos de defender a nossa vida e no nosso corpo como uma arma mortífera. Talvez daqui a mil anos, se ainda existir, o MMA tenha dado origem a uma nova forma de meditação a dois, que incorpora contact improvisation. Mas por enquanto, fica esta sensação: é muito diferente a prática de algo que demorou centenas de anos a se diluir e refinar, deixando de ser combate e passando a ser outra coisa da prática de uma forma de luta em que técnicas existentes são aplicadas em situações reais de luta entre pessoas. Talvez no tempo dos samurais ou nas eras míticas em que monges se defendiam de salteadores, as artes marciais fossem o Sambo ou o Krav magá que havia à mão.
view#001093 – 28 de Agosto 2022
Babes in Toyland, Foz do Sousa, guarda-lamas, episódio do YUA.
view#001092 – 27 de Agosto de 2022
SubRosa, Yamandu Costa, pesto de caju, Zebras Unite, final do WSL.
view#001091 – 26 de Agosto de 2022
The Book Eaters. Piranesi. Silver in the Wood. Every Heart a Doorway. A triologia The Broken Earth. Toda a fantasia publicada recentemente que me cativou foi escrita por mulheres. Cada um destes exemplos é verdadeiramente único. As histórias, muito longe do Sword and Sorcery mais frequentemente escrito por homens, são de uma beleza metafórica de enorme fôlego. Comedores de livros. Habitantes de lugares inexistentes. Pessoas que se tornam a alma de uma floresta. Adolescentes com ligação a outros mundos. Humanos com poderes geológicos.
view#001090 – 25 de Agosto de 2022
Kiwis selvagens, morangos, courgettes amarelas. E o manjericão a encher os pulmões de frescura, quando o comboio parte.
view#001089 – 24 de Agosto de 2022
Concerto de Deep South a inaugurar a noite. Jorge Quintela e Davide Luciani assombram, acendem a sala. A ingerência do caos faz estremecer o corpo, sente-se a música, textura sobre textura, o espaço todo num delírio fractal. O ruído é um bálsamo, um ingrediente, uma atmosfera, faz vibrar o peito, atravessa corpo e dissolve o pensamento.
view#001088 – 23 de Agosto de 2022
Um comboio cheio de pessoas. Rostos à mostra. Tão habituado a máscaras, tinha-me esquecido que as pessoas eram tão bonitas. Vejo beleza em todo o lado, estou confuso, embaraçado.
view#001087 – 22 de Agosto de 2022
Sinusite, tosse, rouquidão. Joelho frágil, problema num tendão. Recolhido, parece-me inverno, um estranho inverno quente, em que suo muito.
view#001086 – 21 de Agosto de 2022
3rd Secret, One Day as a Lion, Street Sweeper Social Club, Jesu. Os casos em que restam bandas ainda interessantes, ao nível das que deram a conhecer os músicos agora envelhecidos. Nirvana, Soundgarden, Rage Against The Machine, Godflesh. As superbandas muitas vezes funcionam, como Khanate, Them Crooked Vultures, Bloodbath, A Perfect Circle, Moonchild. Outras vezes são um imenso desapontamento como Velvet Revolver ou Audioslave. Há bandas com um passado tão intenso e influente que todo o futuro é visto com um olho no retrovisor.