Kroeber

#000747 – 14 de Setembro de 2021

O que ler primeiro? Os livros são a distância entre nós, leitores, e a possível compreensão do mundo. Não são chaves, nem portas. São casas e cofres, caminhos e pontes. Esta distância aumenta muito mais rapidamente que a nossa errática e ínfima progressão.

#000746 – 13 de Setembro de 2021

Dedo indicador que não dobra. Incapaz de murros, embora aponte bem.

#000745 – 12 de Setembro de 2021

Gengiva com pontos. Gaspacho, café com gelo, gelado.

#000744 – 11 de Setembro de 2021

Chegaram os meus patins novos. E a chuva.

#000743 – 10 de Setembro de 2021

Chorar ao adormecer tem o seu quê de apaziguador.

#000742 – 09 de Setembro de 2021

Na nossa cultura ácida, falhar por pouco é o pecado maior. Diz-se que o segundo é o primeiro dos últimos e até o 6 é o número do diabo, por ser o que está mais próximo da perfeição, do 7, sem lá chegar.

#000741 – 08 de Setembro de 2021

Duvido da hipótese convencional que explica o sucesso dos filmes de horror. A ideia de que se procura testar, de forma segura, emoções associadas a perigo, a medos profundos, a fobias. É uma explicação análoga à que se dá para fundamentar o gosto de algumas pessoas por desportos perigosos. Penso que num caso e noutro a explicação não resiste a uma observação mais atenta. Em desportos como a escalada, basta ver o Free Solo, escutar Alex Honnold, para ter um exemplo do que é mais habitual, um desportista sereno, sóbrio, dedicado a diminuir o risco e a evitar o perigo. A expressão viciado em adrenalina faz sentido nenhum. No caso dos fãs de filmes de zombies e outros subgéneros em que há muito sangue, penso que faz mais sentido pegar numa ideia do Ricardo Araújo Pereira, que diz que o humor permite olhar para o sofrimento e a morte com distanciamento, um distanciamento em relação a nós próprios. Parece-me que os fãs destes filmes procuram, longe da experiência de emoções e medos intensos, o seu contrário: a capacidade de se distanciarem de si mesmos, da sua habitual estrutura emocional. RAP diz sobre o humor negro que o seu alvo é o sentimentalismo. Assistir a um filme gore com zombies, proponho, terá um efeito semelhante para os seus aficionados.

#000740 – 07 de Setembro de 2021

Como um maratonista em má forma, sinto cãibras, duvido das minhas forças, ponho em causa o esforço. Mas sei que são apenas mais uns dias até chegarem as férias.

#000739 – 06 de Setembro de 2021

Esta aldeia não tem água potável, lembra o idealista. Aqui está uma garrafa de água, bebe, diz o pragmático. Estar sempre apenas focado na solução imediata, no que está ao alcance da mão, às vezes é a forma mais aceleracionista de correr em direção à destruição.

#000738 – 05 de Setembro de 2021

Devo dias ao meu diário. Por vezes, a sensação do dever por cumprir é ainda mais motivadora da acção. Escrever é o que me falta, sempre.