view#002068 – 25 de Janeiro de 2025
Anders Vistisen, deuputado europeu, num discurso no Parlamento Europeu, em inglês: “Dear President Trump, listen very carefully. Greenland has been part of the Danish Kingdom for 800 hundred years. It's an integrated part of our country. It is not for sale. Let me put it in words you might understand, Mr. Trump, fuck off”. Este é um deputado da extrema direita europeia, do Grupo “Patriotas pela Europa” a que pertence também Viktor Orbán e o Chega. Expõe as tensões entre nacionalistas, quando um deles se torna expansionista. Nos partidos da extrema direita uns apoiam Putin e outros não. Talvez agora o mesmo aconteça com Trump. Seja como for, o ponto a que as relações entre os EUA e a Europa chegou é perigoso. Que estranhos tempos que vivemos.
view#002067 – 24 de Janeiro de 2025
Os filmes de horror são uma forma de explorar os nossos medos, mas de forma segura. Esta é uma ideia bastante popular. Como não sou um grande fã deste tipo de cinema não tenho uma opinião muito definida sobre o assunto. Mas o mesmo tipo de lógica sinto-a na minha relação com a música. Bandas como Indian, Suicide Silence ou Cara Neir tocam em pontos escuros do meu íntimo, que geralmente evito e que não conheço bem. E universos musicais como o de Fantômas ou Naked City fazem-me visitar a loucura como uma feira de emoções a acontecer à volta de um carrossel, eu preso num compartimento que sobe e desce, acelera e desacelera, mas não corre o perigo de sair dos carris.
view#002066 – 23 de Janeiro de 2025
Consumidores portugueses processam a Amazon. O dia começa bem.
view#002065 – 22 de Janeiro de 2025
Entre as coisas que o Zizek vinha a dizer nos últimos anos, uma das coisas mais difíceis de aceitar é a bizarra ideia de que o anti-Semitismo pode ser compatível com o Sionismo. Ou seja, que um anti-semita possa ser sionista. Durante anos avisou Zizek que nos EUA muitos apoiantes de Israel são também empedernidos anti-semitas e que isso vem na sequência histórica de um estranho alinhar de objectivos. Para a Alemanha nazi, a criação de um Estado de Israel garantia haver um local para deportações em massa. No Reino Unido, ilustres apoiantes da criação de Israel publicamente admitiram que seria uma forma de expulsar os judeus, por eles indesejados. Até alguns judeus abastados britânicos, nada interessados em se mudar para a Terra Santa, achavam que era boa ideia os judeus pobres (entre eles marxistas e proletários potencialmente permeáveis à doutrina marxista) irem para longe.
É um espetáculo triste e ainda assim surpreendente ver israelitas nas redes sociais a defender o Elon Musk, tentando negar que o que ele fez é um gesto obsceno, profundamente insultuoso para a memória de milhões que morreram às mãos dos nazis. Elon Musk apoia publicamente partidos extremistas e activistas de extrema direita. Mas, e este é o ponto essencial, também apoia o actual governo de Israel. E por isso, por mais paradoxal que isso nos pareça, é visto como um aliado. Custa constatar como Zizek estava certo aqui. E é gritante a estranheza desta sobreposição ideológica, desta aliança estratégica.
view#002064 – 21 de Janeiro de 2025
O Elon Musk a fazer a saudação nazi é a imagem perfeita da situação em que nos encontramos.
view#002063 – 20 de Janeiro de 2025
Hoje o Trump toma posse. À tarde talvez vá à piscina.
view#002062 – 19 de Janeiro de 2025
Mudava quase tudo em mim. Houvesse um botão, mudava. Difícil é mudar aos poucos, mudar contra a minha resistência a melhorar como pessoa.
view#002061 – 18 de Janeiro de 2025
No documentário “The Social Dilemma”, um dos criadores do algoritmo de recomendações do YouTube aconselha-nos a usar uma extensão no browser que bloqueie o algoritmo. Para nos convencer diz que foi ele criou o código e sabe como funciona e, mesmo assim, o algoritmo funciona com ele. Eu, recentemente, mudei as configurações da extensão e voltei a permitir que o YouTube me fizesse recomendações na home-page. Poucas coisas me parecem tão exemplificativas de como isto se tornou um vício. Ao fazer esta mudança, estou a preferir estar agarrado ao loop de cliques e recomendações e mais cliques e mais recomendações.
view#002060 – 17 de Janeiro de 2025
Vi múltiplos documentários e li inúmeros livros sobre a forma como as redes sociais usam tecnologia persuasiva para nos manterem a olhar para o ecrã. E, passados estes anos todos, em que me mantive céptico em relação às vantagens destas plataformas, vejo-me a olhar para o ecrã mais tempo do que queria, por hábito. Por vício, mesmo.
view#002059 – 16 de Janeiro de 2025
A música do Jacob Collier é vibrante, alegra, luminosa. Passa todos os limites do suportável, tão colorida como as roupas do talentoso cantautor e multi-instrumentista. E, no entanto, funciona.