Tarde de surfskate, quilómetros a rolar. Sol de inverno, sorriso de verão.
Terapia, surfskate, ondas gigantes na Nazaré, planear biketrips.
Aprendi a andar de halfbike e surfskate, com 7 anos de diferença, nos mesmo 80 metros de asfalto.
No fundo, a história da minha relação com o meu próprio corpo é um inverso da história do patinho feio, que afinal se revelou um belo cisne.
Continuo a emagrecer devagar. Compenso o estrago que os medicamentos fazem. Quando era novo, por mais que comesse não deixava de ser magro. Agora que como de forma saudável, que não fumo e quase não bebo, que faço desporto diariamente, tenho as costas curvas, a barriga proeminente, o corpanzil de alguém que passa o dia no sofá.
Gosto de envelhecer. Sobretudo de desacelerar esta degradação do corpo. Estar ativo, ao me aproximar dos 50 anos de idade, é reinventar a lentidão, vesti-la de desporto, de ar livre, de mim.
Volto a ter os dentes todos. Ainda me estou a habituar a conseguir morder de novo sem complicações. Tão habituado estava às lacunas que me atrapalho com a recuperada competência da minha dentição.
Hiberno sempre que vem a chuva. Saio estremunhado para o sol, quando reaparece. Vou vivendo assim, ganhando e perdendo velocidade e motivação nos solavancos da luz.