#001569 – 22 de Dezembro de 2023
Amanhã ainda de noite, saio a pedalar ao encontro da minha família. Noventa quilómetros de inverno, pela costa. Esforço em tons de sossego.
Amanhã ainda de noite, saio a pedalar ao encontro da minha família. Noventa quilómetros de inverno, pela costa. Esforço em tons de sossego.
Anos depois, volto a fazer abdominais. Foi o último exercício que passei a incluir neste momento de regresso à actividade. Não custou muito.
A tristeza volta, indecorosa. Entra por uma frincha que me esquecera de tapar, antes do último inverno emocional. Avança-me pelo íntimo e põe os pés em cima da mesa, senta-se como se estivesse em casa. Conhece os cantos, é verdade, mas já não é bem vinda. Como a um vampiro, rescindo-lhe o convite, expulso-a de minha casa. Espero companhia. Hedonista e despreocupado, estava a preparar um banquete para a alegria.
O dia inteiro a locomover-me de bicicleta, geada de manhã, frio de noite. Tranquilo e feliz, as cidades que atravesso mais pequenas e ligadas que habitualmente. Anos perdidos com medo do tempo. Lá dizem os nórdicos que não há mau tempo, há má preparação.
Dia de sol, surfistas no mar de Matosinhos. E eu de skate em terra, aprendendo a surfar no asfalto. Açaí a meio da aula, solidão açucarada, inclinada para a felicidade.
Uma experiência dolorosa no dentista e vem-me à cabeça que tantas pessoas foram e são torturadas horas a fio, durante dias, meses. Não consigo imaginar o terror que é ser sujeito a essa crueldade. Mesmo a dor momentânea, às mãos de um médico, é assustadora. Não há nada que justifique submeter um ser humano à tortura. Nem a guerra nem nada.
Inge Wegge e Jorn Ranum construíram uma cabana com a madeira que recuperaram de uma ilha no norte da Noruega. Aí surfaram no Mar do Norte, mesmo no Inverno ártico, quase sem luz. Recolheram 3 toneladas de lixo, enfrentaram o frio e o tédio. E fizeram um documentário.
Ao escutar repetidamente Jesu, convenço-me que o shoegaze e o black metal haveriam de procriar belos bastardos, maravilhosos mestiços, impressionantes heresias musicais. Oathbreaker, Liturgy, Horseback, Zeal & Ardor e centenas de outras manifestações do endemoninhado espírito humano poderiam até não ser inevitáveis. Mas são muito, muito bem vindas. Continue o assalto à (já nem tanto estagnada e conservadora) tradição do black metal.