#001499 – 13 de Outubro de 2023
A chuva afasta as pessoas da margem do rio. As aves marinhas regressam ou partem ou pousam na água. O suor escorre. Um arco íris preenche o canto acima das árvores. Peguei na bicicleta e fui beber algum silêncio.
A chuva afasta as pessoas da margem do rio. As aves marinhas regressam ou partem ou pousam na água. O suor escorre. Um arco íris preenche o canto acima das árvores. Peguei na bicicleta e fui beber algum silêncio.
Chego ao litoral e há umas duas, três pessoas encostadas ao pôr-do-sol. Em silêncio, quase não se dá por elas, nem por mim. Cada um no seu canto, num mesmo abraço sonoro, líquido. O mar é uma imensidão em que cabemos todos.
Sense8 é desavergonhadamente sentimental. Há lágrimas frequentemente, mãos dadas, altos e baixo de esperança e glória, romantismo e sensualidade, discursos emocionados e complexidade interior. E toda a exuberância da vulnerabilidade tem um fundo de violência e perseguição. As personagens revelam-se perante as adversidade, o mal, não endurecem apenas, sangram e cicatrizam. Há um fulgor expressivo, intencional. A linha do razoável é às vezes ultrapassada, até redesenhada. Mas há algo de genuíno na performatividade emocional das personagens. Há uma afinidade com o humano.
A osteopata cura-me o ombro. Um certo sossego cura-me dentro. Inclino-me de novo para o futuro, balanceado para o que acontecer.
Pedalo na halfbike. Suar é uma boa maneira de esconder as lágrimas.
Não é sair da minha cabeça que é importante. É deixar o mundo entrar.