Kroeber

#001410 – 15 de Julho de 2023

O último mês mostrou-me que a guitarra e a bicicleta não são brinquedos. São componentes da minha sanidade mental. Bastaram dois dias a pedalar e uma hora a tocar para dissipar a ansiedade e a depressão.

#001409 – 14 de Julho de 2023

Os instrumentos musicais têm vontade própria. Personalidade, inclinações. A minha semi-acustíca veio, depois de reparada. Assim que pego nela e surge uma canção. Não tive de fazer nada, bastou deixar que as cordas soassem e uma melodia veio, já com letra e tudo.

#001408 – 13 de Julho de 2023

A Microsoft tinha comprado o GitHub. E agora a Meta passa a usar o ActivityPub. Os gigantes totalitários apropriam-se dos espaços de diferença e abertura. Há o risco de expressões como open source e distributed software, no futuro, serem apenas anacronismos, ou etiquetas de marketing, já completamente vazias de substância e significado.

#001407 – 12 de Julho de 2023

Um inesperado céu, crepúsculo incendiado de centenas de andorinhas em voos acrobáticos e velozes. Inesperado: em baixo há o cheiro das barracas das farturas e de cachorros quentes, a estridência da música dos carrinhos de choque, as cores dos neons e o vozerio de pessoas a jantar fast-food de feira. Outra sobreposição é a do chão deste dia de merda a aturar pessoas que me tratam mal e depois um passeio com a minha mãe até ao centro do Porto, o carinho dela, o nosso sentido de humor a fazer desaguar a tarde numa sanidade grata pela abundância das andorinhas.

#001406 – 11 de Julho de 2023

“Humanity's Last Breath” tem tanto groove que me ponho a dançar.

#001405 – 10 de Julho de 2023

Epiphone como nova. Cabelo crescido. Vídeo do Ólafur Arnalds e dos músicos que o acompanharam, um círculo de humanos a tocar juntos, perto de um vulcão Islandês, ao vivo para o mundo.

#001404 – 09 de Julho de 2023

Kikas fica em segundo lugar em Balito nos doze segundos finais.

#001403 – 08 de Julho de 2023

Se pudesse, com um estalar de dedos, mudar qualquer coisa na minha vida, mudava-me a mim.

#001402 – 07 de Julho de 2023

O que me agrada nisto de numerar as entradas no diário é precisamente o efeito cumulativo: só por si, o passar do tempo demonstra o efeito de fazer uma acção diariamente. O texto que aqui escrevi era suficiente para um romance longo, de mais de 112 mil palavras ou de dois livros e meio do tamanho do Fahrenheit 451. Isto é verdade mesmo sendo a média de palavras por cada entrada no diário apenas 79 palavras. Em suma: é só escrever todos os dias, mesmo se pouco, e o tempo fará o resto.

#001401 – 06 de Julho de 2023

Mil quatrocentos e um dias. Quero viver pelo menos mais dez mil dias. Que estranho. É mais angustiante contar a vida em dias do que em anos. Um ano é uma paisagem que se atravessa, um ciclo, a terra à volta do sol, as estações que se sucedem. Pensar em dias é como pesar a vida, medi-la numa quantidade arbitrária. Um diário pulsa, nessa tensão. É um espaço cumulativo de registo de experiências. Mas acontece de forma quantitativa. Não ajuda o facto de eu não usar títulos, apenas um número.