#001211 – 27 de Dezembro de 2022
Ler 80 livros, pedalar 4000 quilómetros. Escrever um romance. Fazer música. Abraçar com frequência, beijar muito. Venha 2023.
Ler 80 livros, pedalar 4000 quilómetros. Escrever um romance. Fazer música. Abraçar com frequência, beijar muito. Venha 2023.
Dormir é algo que começo com dificuldade e que interrompo a muito custo.
Sou um ateu com laivos de espiritualidade. Tenho tendências religiosas, uma inclinação para o ritual, algum apreço pelo transcendente, uma estrutura emocional impressionável. E não acredito em deuses ou no sobrenatural.
A família é uma árvore, um labirinto, um coral. Não lhe conhecemos o começo, vivemos-lhe a continuidade, os rituais.
Diz Portia a Tanya, na segunda temporada de The White Lotus, sobre um rapaz que conheceu, que ele é “too nice”. E responde Tanya, com décadas de experiência a mais que a sua assistente: “don't go chasing around emotionally unavailable men”.
Buarcos. Figueira da Foz. Coimbra. Porto. Braga. Guimarães. Atenas. Rio Tinto. Nacala. Não tenho resposta para a pergunta de onde sou. Sei apenas por onde passei e com quem me encontrei.
Quase 2000 quilómetros pedalados com minha bicicleta. Em 2023 quero duplicar este número. Nada de extraordinário, diariamente, apenas 10 quilómetros a cada dia. Mas um universo de diferença, poder passar um ano assim, a conhecer Portugal, a viajar devagar, locomovendo-me com o meu próprio esforço.
O Porto muda rapidamente. Fica mais e mais turístico. A habitação é substituída por alojamento, os cafés de bairro por restaurantes. Cada vez mais se torna, este centro, um local para visitar e não para viver.
Mudava quase tudo se, como nas histórias de viagens no tempo, tivesse uma segunda oportunidade. É bizarra a premissa de muitas dessas narrativas, em que o protagonista mudaria apenas um evento, um erro.