#001067 – 31 de Julho de 2022
Bicicleta limpa, cassete e corrente e tudo. E amanhã de novo o pó da estrada. Antes de retomar caminho, deixar o lastro, o hábito, resíduos.
Bicicleta limpa, cassete e corrente e tudo. E amanhã de novo o pó da estrada. Antes de retomar caminho, deixar o lastro, o hábito, resíduos.
Uma ideia ainda verde, quase amorfa. Sci-fi e bicicletas. Talvez um mundo pós-tecnologia digital, de volta à mecânica e assente numa ética salvage, à Miéville. Talvez inspirado nas minhas viagens.
Escaldão tratado com nívea. Ouvidos massajados com o “Madvillain” dos geniais MF DOOM & Madlib.
O grande motor da escrita é a insatisfação. Escreve-se porque é difícil, porque dói, porque não o sabemos fazer.
Releio um conto com alguns anos. Será publicado. Surpreendo-me. Lembrava-me de pior. O que fica escrito cedo incomoda. Não é comum o tempo melhorar a minha relação com um texto terminado.
Escrevo pouco. Estes últimos meses foram um deserto. Acaba hoje. Começo por descrever o deserto, muito antes de intuir um vindouro maná.
Sou péssimo em mecânica. Impaciente, trapalhão e bruto. Sempre entre dois extremos: o medo de estragar aquilo em que mexo e estragar, de facto, aquilo em que mexo. Mudei um thru axle da bicicleta. Foi um pequeno pesadelo. E tenho agora de ir à oficina para tentar corrigir os estragos que fiz.