Kroeber

#002321 – 06 de Outubro de 2025

Na margem do rio pairam, revelando a direção da brisa, partículas de dentes-de-leão, flocos de neve seca quase imaterial. Páro de ler e levanto os olhos, coço a barba e provoco uma nuvem de partículas mais pequenas mas mais pesadas, caspa, que ecoam a leveza a que não podem aspirar, pontuando de ridículo o meu sentimentalismo tão fácil e oportunista.

#002320 – 05 de Outubro de 2025

Testando uma automação para trazer os textos daqui para a página no Wordpress. Publicando um vídeo sobre o Juan Tamariz no Instagram. Usando o gerúndio despudoradamente.

#002319 – 04 de Outubro de 2025

Ler, escrever, traduzir. Os ingredientes com que queria trabalhar.

#002318 – 03 de Outubro de 2025

O Christophe Haubursin que investigou o funcionamento das “paper mills”, operações fraudulentas que vendem serviços a quem quer ver um trabalho académico publicado, citado (ou mesmo totalmente gerado por inteligência artificial). Não são só as fake news que tiveram um aumento exponencial, quando os modelos de linguagem se tornaram de acesso público, mesmo as instituições que produziam verdades científicas estão agora sob ameaça destas ferramentas industriais de imitação da verdade, da sua deturpação ou da canibalização da sua legitimidade.

#002317 – 02 de Outubro de 2025

A Therese Lee a explicar uma táctica dos abusadores quando confrontados com os seus crimes, usando como exemplo uma cena do último documentário do Louis Theroux, em que ele tem um confronto com um influencer da manosphere. Chama-se DARVO esta técnica, em que o abusador nega as acusações, vitimiza-se, muda o sentido da conversa passando a atacar quem tinha feito a pergunta. A sigla é bastante esclarecedora: Deny, Attack, Reverse Victim and Offender.

#002316 – 01 de Outubro de 2025

Clara Mattei entrevistada pelo Aaron Bastani. Dia solarengo de Março, o corpo está indisposto e resmungão, a cabeça dói, a azia instalou-se.

#002315 – 30 de Setembro de 2025

No seu podcast, o Rui Tavares lembra a mudança que sofreu a palavra revolução. Antes (da revolução francesa), a palavra designava apenas o movimento de um astro (como a terra) à volta de outro astro (como o sol). Descrevia a volta que um astro dava para regressar ao ponto de partida. Nesse sentido, o uso da palavra revolução num movimento social era esse, o de regressar a um ponto histórico anterior, original. A defesa da revolução com o passado e não, como depois passou a significar, com o futuro.

#002314 – 29 de Setembro de 2025

Ainda no campo das metáforas nerd: com o impacto da mão, algumas peças do cubo 5x5x5 partiram-se. Outras perderam-se.

#002313 – 28 de Setembro de 2025

No Gerês, um refúgio de paz e beleza. Surpreendo-me sempre com a desilusão das pessoas por estar nevoeiro e não se ver a paisagem. Não consigo separar a neblina do resto, sentir que está a mais ou a tapar outra coisa. Pelo contrário, acho que um pouco de bruma torna tudo mais dramático.

#002312 – 27 de Setembro de 2025

Aqui no futuro, o Irão responde ao jeito que os EUA começaram. O império americano atacou e chegou mesmo a capturar petroleiros que saíam da Venezuela. E agora os descendentes fundamentalistas do império persa atacam tudo o que mexe no Estreito de Ormuz e começaram mesmo a minar a zona. Escutei outro dia o Thaddeus Russell a dizer que o império americano nunca foi um império oportunista mas um império moral: ou seja, tendo como objectivo e missão espalhar pelo mundo a sua mundivisão. Pois bem, se George W. Bush ainda justificava a guerra tentando convencer-nos que os Estados Unidos estavam empenhados em levar a democracia ao mundo, Trump já só defende a força, a força total e implacável. E explicou, para que não houvesse dúvidas, que os limites do direito internacional são os que ele bem entender. O caos no mundo, porque há uma vontade caprichosa a seguir.