view#000917 – 03 de Março de 2022
Ghost Bath, Indian. Ver as bandas, conhecer os rostos, os maneirismos, é uma desilusão. Moonlover e From All Purity são álbuns aterradores, belos, em que o som parece emergir de uma lacuna no universo, um enorme frio. Escutar os temas destas bandas, foi abandonar-me a um desconhecimento inconsolável. Não sabia sequer que letras estão por detrás da desolação de Ghost Bath, da crueldade caótica de Indian, não fazia ideia que pessoas tinham criado música assim. Mas o YouTube, com toda a sua maquinaria de influência, é o grande oráculo desmistificador. Os músicos destas bandas têm simplesmente um estilo, ainda que intenso, que sua imagem passa a estruturar, amansando para sempre.
view#000916 – 02 de Março de 2022
Encomendo alforges, escolho onde ir, onde ficar. Vou viajar de bicicleta. Portugal visto ainda em sonho, a partir das duas rodas, parece um paraíso a explorar assim, sem motor nem complicações. Venha a estrada.
view#000915 – 01 de Março de 2022
É gratificante este paradoxo. Chego ao fim do dia cansado, de corpo moído e cabeça exausta. Está frio e escureceu muito, os carros começam a invadir de novo as estradas. E assim que penso em pedalar, pego na bicicleta e saio, de novo feito impulso e corpo. Deixo a parte mais pesada dos pensamentos em casa e pedalo. A perspectiva de sair para me cansar desta forma liberta-me. Regresso suado e mais perto do centro de mim.
view#000914 – 28 de Fevereiro de 2022
Amplificador, dente arrancado, nova capa de álbum.
view#000913 – 27 de Fevereiro de 2022
Cinquenta quilómetros num dia. 400 palavras por dia. Pedalar, escrever. Na escrita, a mente é o veículo e a propulsão. É mais difícil esta forma de avançar, empurrando algo que vai ganhando força com o esforço e que pesa sempre. Nos próximos 3 meses, mil quilómetros pedalados parecem-me mais exequíveis que 35 mil palavras. De alguma forma espero que o uso do corpo também me agilize a mente. Venha o futuro.
view#000912 – 26 de Fevereiro de 2022
Sonho é palavra complicada. Escrevê-la, sem contexto, é arriscar que se assuma o significado figurativo. É necessário referir o sono, a cama, dormir, a noite, ou qualquer outro termo deste campo semântico para deixar claro que não se fala de aspiração ou de objectivo, ou de desejo. Apercebo-me até, pela primeira vez, que chamar sonho a um objectivo é um pouco triste. Parece remover da realidade um pensamento consciente e classificar como fantasia algo que se deseja concretizar. Ao fazer isso, também menoriza os sonhos que temos ao dormir. O colapso dos dois conceitos num único parece colocar tudo aquilo que chamamos sonho num lugar irrelevante que distorce ou desconhece a realidade e que, por isso, comete o pecado de não ser realidade. Ora os dois tipos de sonho são realidade. O que sonhamos a dormir acontece na nossa fisiologia. E os pensamentos que nos movem geram comportamento. Sonhar é real.
view#000911 – 25 de Fevereiro de 2022
A música altera a minha relação com a passagem do tempo. Não diria que o acelera ou desacelera, como no conceito de tempo psicológico. Antes sugiro que a música faz do tempo um lugar.
view#000910 – 24 de Fevereiro de 2022
Com a idade, o corpo vai acumulando dores, dificuldades, lentidões, incompetências. Correndo bem, vou fortalecendo a paciência.
view#000909 – 23 de Fevereiro de 2022
Quando penso na últimas duas décadas que vivi chego à conclusão que a vida me tratou muito bem, oferecendo-me os melhores amigos que poderia desejar.
view#000908 – 22 de Fevereiro de 2022
Começou a guerra. Os Ucranianos continuam a sofrer numa história longa de convívio difícil com um vizinho agressor e expansionista.