Kroeber

#000907 – 21 de Fevereiro de 2022

E eis que, indo buscar a bicicleta à revisão, estes dois dias sem pedalar me parecem uma eternidade. Os hábitos mudam-se tão rapidamente.

#000906 – 20 de Fevereiro de 2022

A cabeça ainda próxima da adolescência, o corpo demasiado chegado à velhice. Tento que a cabeça puxe o corpo, que se encontrem mais perto de mim.

#000905 – 19 de Fevereiro de 2022

Os patins em linha estão de volta. Depois de duas décadas fora de moda, voltam a ser populares. São um artefacto desta nostalgia em relação aos anos 90. Pelo que me toca estou feliz, sou bicho nada nostálgico. Mas qualquer pretexto para patinar me serve.

#000904 – 18 de Fevereiro de 2022

Volto ao dentista. Os dentes, à medida que desaparecem ou se degradam, definem mais e mais a forma como nos sentimos e nos julgam.

#000903 – 17 de Fevereiro de 2022

Sou resmungão e optimista. Acredito que vale a pena fazer barulho para que as coisas melhorem.

#000902 – 16 de Fevereiro de 2022

Em Agosto vou viajar de bicicleta, alforges a substituir malas, rodas a aumentar a eficiência das pernas.

#000901 – 15 de Fevereiro de 2022

Qual Sísifo calceteiro, o município de Gondomar destruiu uma ciclovia já existente para pavimentar quilómetros de calçada. Porquê continuar o bom trabalho se se pode desfazer o que existe para substituir por coisa pior?

#000900 – 14 de Fevereiro de 2022

O Superantonio Vivaldi a resolver um ghostcube 3X5X7. A bicicleta a fazer a primeira revisão. Os braços a movimentar halteres. O cabelo a crescer.

#000899 – 13 de Fevereiro de 2022

Um álbum por mês em 2022. Cem quilómetros por semana em Fevereiro. Quinhentas palavras por dia. Sou bom a contabilizar o futuro. Quase tão bom como a qualificar o passado ou a distrair-me do presente.

#000898 – 12 de Fevereiro de 2022

Em Oahu as ondas estão grandes e os surfistas na água. Nas fronteiras da Ucrânia há tanques e helicópteros. Eu pedalo e resolvo cubos de Kubrick. Algures pessoas se apaixonam e outras se agridem. Há génios futuros a nascer, oportunidades que se perdem, pessoas que são esmagadas, vilões que são recompensados. Já não são os gatekeepers habituais a filtrar o relato do mundo. Agora outros senhores são donos da informação e criaram ferramentas geradoras de bolhas. As nossas prisões são transparentes e têm um eco permanente. A nossa experiência é forrada a ecrãs. Mas basta olhar pela janela, dar meia dúzia de passos, falar com alguém, para redescobrir o mundo lá fora: caótico e perigoso e belo.