#000907 – 21 de Fevereiro de 2022
E eis que, indo buscar a bicicleta à revisão, estes dois dias sem pedalar me parecem uma eternidade. Os hábitos mudam-se tão rapidamente.
E eis que, indo buscar a bicicleta à revisão, estes dois dias sem pedalar me parecem uma eternidade. Os hábitos mudam-se tão rapidamente.
A cabeça ainda próxima da adolescência, o corpo demasiado chegado à velhice. Tento que a cabeça puxe o corpo, que se encontrem mais perto de mim.
Os patins em linha estão de volta. Depois de duas décadas fora de moda, voltam a ser populares. São um artefacto desta nostalgia em relação aos anos 90. Pelo que me toca estou feliz, sou bicho nada nostálgico. Mas qualquer pretexto para patinar me serve.
Volto ao dentista. Os dentes, à medida que desaparecem ou se degradam, definem mais e mais a forma como nos sentimos e nos julgam.
Sou resmungão e optimista. Acredito que vale a pena fazer barulho para que as coisas melhorem.
Em Agosto vou viajar de bicicleta, alforges a substituir malas, rodas a aumentar a eficiência das pernas.
Qual Sísifo calceteiro, o município de Gondomar destruiu uma ciclovia já existente para pavimentar quilómetros de calçada. Porquê continuar o bom trabalho se se pode desfazer o que existe para substituir por coisa pior?
O Superantonio Vivaldi a resolver um ghostcube 3X5X7. A bicicleta a fazer a primeira revisão. Os braços a movimentar halteres. O cabelo a crescer.
Um álbum por mês em 2022. Cem quilómetros por semana em Fevereiro. Quinhentas palavras por dia. Sou bom a contabilizar o futuro. Quase tão bom como a qualificar o passado ou a distrair-me do presente.
Em Oahu as ondas estão grandes e os surfistas na água. Nas fronteiras da Ucrânia há tanques e helicópteros. Eu pedalo e resolvo cubos de Kubrick. Algures pessoas se apaixonam e outras se agridem. Há génios futuros a nascer, oportunidades que se perdem, pessoas que são esmagadas, vilões que são recompensados. Já não são os gatekeepers habituais a filtrar o relato do mundo. Agora outros senhores são donos da informação e criaram ferramentas geradoras de bolhas. As nossas prisões são transparentes e têm um eco permanente. A nossa experiência é forrada a ecrãs. Mas basta olhar pela janela, dar meia dúzia de passos, falar com alguém, para redescobrir o mundo lá fora: caótico e perigoso e belo.