Kroeber

#000887 – 01 de Fevereiro

Escutar a Tal Wilkenfeld, o sol a imiscuir-se na solidão da pele.

#000886 – 31 de Janeiro de 2022

Que bom dormir no comboio. Sonhar é isto: atravessar uma paisagem de que lembraremos quase nada.

#000885 – 30 de Janeiro de 2022

Novo álbum dos Krallice. Quilómetros nas rodas. Dias bons, com a quantidade certa de insatisfação. História que precisa de acelerar. Segundo álbum que avança, acústico. O processador de efeitos desligado.

#000884 – 29 de Janeiro de 2022

Sol, férias e bicicleta. Corpo que volta a namorar com o mundo.

#000883 – 28 de Janeiro de 2022

Passado um ano chega a minha bicicleta. Milhares de pessoas tiveram de trabalhar para que as peças todas que a constituem fossem reunidas, e muitas também para que me fosse enviada. A crise da cadeia de abastecimento revelou-nos um mundo ligado, de forma frágil e preciosa.

#000882 – 27 de Janeiro de 2022

Mizmor produz música soturna, agreste e pantanosa. É um black metal afligido de doom, uma queda em abismo que ainda cresce. Uma expansão de lava que nunca, nunca chega a solidificar. Sinto o corpo render-se, esticar-se para o ralo de um buraco negro. Nos pulmões um espaço infinito que me deixa enfim respirar. Escuto, feliz, dono da minha tristeza.

#000881 – 26 de Janeiro de 2021

Eu amo o Josh Johnson. Faz-me rir de mim e do mundo.

#000880 – 25 de Janeiro de 2021

Sou um bicho desafinado. A música avariada, o ruído, algum caos harmónico ajudam-me a sintonizar coisas dentro, a sossegar emoções que não entendo. Preciso desta tranquilidade indómita, esta liberdade.

#000879 – 24 de Janeiro de 2021

O dia corrói-me, fico um farrapo. Escuto Low e deixo de cair.

#000878 – 23 de Janeiro de 2022

Há pior, muito pior, do que pensar de forma torta, acreditar em coisas más. Pior ainda é nem ter consciência daquilo em que se acredita. A estes invisíveis parasitas racionais chama Zizek “unknown knowns”. E é este o maior triunfo da ideologia, implantar-nos ideias que não sabemos ter.