#000787 – 24 de Outubro de 2021
Escuto “Prima pratica”, como a um ritual de mastigação do espaço.
Escuto “Prima pratica”, como a um ritual de mastigação do espaço.
O Belmarsh Tribunal decorre, em Londres. A liberdade de expressão é o último fôlego de uma civilização que se afunda, e que foge da verdade.
Halfbike 3 chegou, aguardo ainda a Bombtrack Hook. Corpo de velho em rodas novas. Entusiasmo de criança, tempo a invernar.
Jam session em que toquei baixo pela primeira vez. Silêncio como tela de argila, ou mar. Trio de cordas e bateria, a faiscar na noite miguelense. O tempo voa, quando tudo é perfeito.
Pagaias preguiçosas. Por baixo da ponte remámos da lagoa azul à lagoa verde. No túnel gravámos o som da água. Na Ferraria o mar estava revolto. Ao fim da tarde um mergulho antes de ver a lua, quase cheia, a iluminar as nuvens.
Rabo de Peixe. Ribeira Grande. Lago do Fogo. Vilarinho das Furnas. Queijadas da Avó. Nuvens e verde. Silêncio envolvido de mar. Fome de horizonte. Banho termal. Lapas grelhadas. Bolo lêvedo com alho. Cerveja belga. Chuva tropical. Nevoeiro que encharca. Cratera cheia de água. Picos inundados de verde, embaciados de neblina. Lentidão e apetite. Chá Gorreana debaixo das estrelas. Cigarras em serena algazarra.
Areal de Santa Bárbara. Queijo de São Jorge. Mexilhões a descongelar para o Saganaki. Vinho e pão. Um céu de tempestade e a chuva a envolver a casa de pedra. Banho tomado. Livro novo do Valter Hugo Mãe.
Trinta anos depois, aprendo a tocar as músicas da minha adolescência. É estranha esta viagem na direção contrária à passagem do tempo. Não me é natural. O que teria sido diferente se, quando comecei a tocar guitarra há 30 anos, tivesse aprendido a tocar as músicas dos meus heróis?