view#000517 – 17 de Abril de 2021
Acabei o conto sobre viagens no tempo. A revisão intimida-me. Talvez se note a minha incapacidade de escrever uma narrativa longa. Está tudo tão condensado que receio ter ficado incompreensível. Tenho uma tendência tão forte de enunciar ingredientes em vez de fazer a receita que há uns anos imaginei escrever um livro só com os ingredientes de um romance. E mais recentemente tomei notas para um livro de contos semelhante, em que cada pequeno texto seria as notas sobre uma história a escrever.
view#000516 – 16 de Abril de 2021
Guitarra. Surf em direto. Tensão arterial alta. Barriga inchada. Entrevista de emprego. Cubo 5x5x5. Preguiça. Saudade. A tua voz num eco doce.
view#000515 – 15 de Abril de 2021
Hipertenso. Nunca me tinham dito tantas vezes no mesmo dia, quer médicos, quer doentes, você é tão novo. Frases assim, que até começam bem mas são interrompidas antes de chegar à pior parte, desassossegam.
view#000514 – 14 de Abril de 2021
No início do livro o George Steiner diz que não temos mais inícios. A melhor maneira de abolir um obstáculo é transfigurá-lo num paradoxo.
view#000513 – 13 de Abril de 2021
O medo dormir comigo é impossível de evitar. Mas posso deixá-lo debaixo da cama, em vez de o levar a passear, empestando o dia.
view#000512 – 12 de Abril de 2021
Não há volta a dar: a política é um veneno e o seu próprio antídoto.
view#000511 – 11 de Abril de 2021
Abro um livro do Alberto Pimenta. O prólogo ocupa uma página e está assinado. Parece-me um autógrafo, foco melhor o olhar: lê-se “O Autor”.
view#000510 – 10 de Abril de 2021
The Wasp Factory faz mais sentido agora que li Galileo's Middle Finger.
view#000509 – 09 de Abril de 2021
Voltaram os calos. E redescubro a minha feliz ignorância da guitarra.
view#000508 – 08 de Abril de 2021
Nas ondas, corpo deslizando à velocidade da espuma, o estrondo do mar.