view#000336 – 19 de Outubro de 2020
Penrose e Escher. O cientista e o artista tornaram-se amigos. Penrose começou a desenhar também objectos impossíveis, como a figura que ficou conhecida como triângulo de Penrose. O pai de Penrose desenhou uma escada impossível que seria depois inspiração para Escher. Penrose é matemático e físico mas pensa de forma visual. Os seus diagramas e as suas ilustrações marcam o seu pensamento científico, mais do que fórmulas. Escher, não tendo formação matemática, era um profundo conhecedor de geometria. Escher tornar-se ia amigo de Penrose. Os dois corresponderam-se e trocaram desenhos. E Escher ofereceu vários dos seus originais a Penrose.
view#000335 – 18 de Outubro de 2020
Mente quântica. Microtúbulos. A ciência, como a arte, tem sempre surpresas novas, formas mais espantosas de olhar o mundo.
view#000334 – 17 de Outubro de 2020
Roger Penrose diz que a compreensão não é coisa algorítmica.
view#000333 – 16 de Outubro de 2020
Abbie Hoffman responde à pergunta.
Qual o teu preço? “A minha vida”.
view#000332 – 15 de Outubro de 2020
Vivemos em tempos interessantes. O que é sempre perigoso.
view#000331 – 14 de Outubro de 2020
Acordo, todos os dias, com a luz que invadiu o quarto. Antes de ir beber água, registo o que posso do sonho de que ainda não despertei completamente. Umas vezes regresso à cama para voltar a sonhar. Outras, não. Mas todos os dias fico mais perto dos teus braços.
view#000330 – 13 de Outubro de 2020
Tenho dificuldade em lembrar-me das histórias que li. Lembro-me dos lugares em que a história se passa. Das paisagens que imaginei e que nunca existiram. Lembro-me de detalhes dos rostos ou dos gestos das personagens, mesmo se nunca foram descritos nas páginas. Mas aquilo que é mais imediato (morreu no fim? casou ou separou-se?) apaga-se da memória rapidamente. O que mais gosto, como leitor, é do espaço dentro que um livro me inventa. As coisas diferentes que me oferece para observar. Nas ficções científica e histórica, em especial, gosto muito de poder passar tempo em locais que já não existem ou nunca existirão. É por isso um desafio maior, quando escrevo, preocupar-me com os eventos da história.
view#000329 – 12 de Outubro de 2020
Livros. Durante séculos foram copiados, memorizados, reverenciados. Os que restam dessa época pré-Gutenberg são tesouros. Chegam os e-books e o papel, como o vinil, torna-se fetiche. Ato de melancolia e estilo. Pouco importa. A leitura, esse espaço de imaginação contemplativa, é o que devemos preservar. O horizonte de uma história dissolve a distração, ensina a cuidar do tempo.
view#000328 – 11 de Outubro de 2020
Esta noite lembrei-me do sonho. Anotei-o.
view#000327 – 10 de Outubro de 2020
Há vários meses que não me lembro dos sonhos. Há um mundo alternativo a que não tenho tido acesso. O sonho, como uma alucinação, é mais real que os objetos. Acontecendo no organismo, é um evento feito exclusivamente do que se percebe. Já uma cadeira, uma gota de água, o som de um grito, o vento, só os conheço mediados pela minha percepção. A pergunta “Se uma árvore cair na floresta e não houver ninguém para escutar, faz algum som?” tem resposta. Pelo menos para os realistas especulativos, uma árvore não precisa de humanos para existir nem para interagir com o mundo físico. Repetindo a frase de Tristan Garcia que aqui citei: “la realité n'a pas besoin de nous”. Uma árvore cai e provoca uma onda acústica. Essa vibração do ar acontece, quer haja ouvidos humanos perto ou não. O som, na física, é essa forma de propagação.
Mas, na linguagem corrente, chamamos som não ao evento físico mas ao estímulo recebido pelo aparelho auditivo. Um surdo não ouve, o que significa que não tem a capacidade de transformar esse estímulo em determinados eventos no sistema nervoso. Mas sente ainda a onda acústica, se esta for suficientemente forte ou se estiver suficientemente próximo. Por isso, um surdo consegue sentir a música numa discoteca ou num concerto. A realidade, diz Graham Harman, existe, simplesmente não a podemos conhecer. Acedemos ao que é real ou indiretamente através da arte ou de forma distorcida e incompleta, através da nossa percepção. Um sonho não é mediação. Não é a percepção de algo exterior. É absolutamente íntimo, aparentemente transcendente.