#002381 – 04 de Dezembro de 2025
Church of Misery nos ouvidos pela manhã, caminhada sonolenta depois do almoço, chuva adiada, em véspera de dia do trabalhador. E amanhã: trabalho.
Church of Misery nos ouvidos pela manhã, caminhada sonolenta depois do almoço, chuva adiada, em véspera de dia do trabalhador. E amanhã: trabalho.
Tristan Harris e Aza Raskin a defender um futuro pró-humano, na sequência do filme “The AI Doc”. Se parece ficção científica ou exagero ético, basta lembrarmo-nos da hesitação de Peter Thiel quando um jornalista do New York Times lhe perguntou: “You would prefer the human race to endure, right?”.
Cruzo-me com a mesma senhora, que aparenta a minha idade, que ia no comboio para Guimarães. Agora, já na direção do Porto, ela mostrou-se muito atenta a mim e perguntou se me queria sentar no lugar dela, que é o único, na carruagem, que me permite segurar a bicicleta sem incomodar ninguém. Ela chegou-se para o lado, depois de trocarmos duas frases em inglês. De vez em quando levanta-se e vai longos minutos a ver a paisagem minhota. Pergunto-me se sabe o que é o 25 de Abril, que há tão pouco tempo este país que visita era uma ditadura, que eu vim para Portugal durante uma revolução, que há quem fale com escárnio dos últimos 50 anos (tantos como os que eu vivi). Não sei de que país é, com os seus traços asiáticos, se vive no mesmo sítio onde nasceu e se os pais dela nasceram no mesmo país que ela, se vive ou não numa democracia. Sei que foi simpática, humana, reparou em algo que nunca ninguém tinha reparado, teve o cuidado de se dirigir a mim com a generosidade de quem não vê num pequeno gesto de cortesia um fardo. Estou cansado depois de pedalar, um pouco comovido com a beleza do dia e a fragilidade da liberdade e grato por tantas coisas na minha vida.
S. M. Amadae no podcast “Your undivided attention”, a mostrar como a Game Theory colonizou todos os aspectos da nossa vida, ameaçando-a. Anoto o nome do livro dela, para ler depois: “Prisoners of Reason”.
Da economia da atenção à economia do apego. Os chatbots são um acelerar da depredação semiocapitalista da nossa humanidade. Zak Stein chama Intimidade Artificial a este tipo de interação entre uma pessoa e um chatbot, como o Gemini ou o ChatGPT, em que o humano partilha os pormenores mais íntimos da sua vida, em busca de conselhos, companhia e compreensão.
Os contos filosóficos de Luciano no Tempo ao Tempo do Rui Tavares, a propósito da ida à lua. A Natalie Wynn no Doomscroll do Joshua Citarella, sobre a política online.
Sabe bem voltar a encontrar este cavalo branco a pastar, vê-lo por um instante ao passar de comboio na linha de Leça, antes de chegar ao apeadeiro de São Gemil.
Perder 4 horas por dia para vir trabalhar deixa-me muito irritado. Havia a esperança que as empresas aprendessem com o confinamento as vantagens de poupar despesas suas e dos funcionários, com trabalho remoto. Há, passados estes anos, a propósito da crise da guerra com o Irão, recomendações das instituições internacionais para voltar ao trabalho remoto, para poupar energia. Mas, casmurras e satisfeitas com o seu poder unilateral, muitas empresas fazem orelhas moucas. Têm a sua forma de fazer as coisas e pronto. Se nem nisto se avança, quanto mais na semana de quatro dias, que se provou aumentar a produtividade e diminuir o absentismo.
Editar e publicar, termos tecnicamente correctos, serão talvez um pouco pomposos para designar as acções que fiz em relação ao ebook que disponibilizei para download no meu perfil do Instagram.