Kroeber

#002371 – 24 de Novembro de 2025

Depois de um par de semanas, finalmente editei os primeiros mil dias deste diário. A revisão deu muito trabalho, bem mais do que esperava. Afinal, premissa tão simples como numerar os títulos como quem conta a partir do número um para a frente não impediu que me enganasse mais que uma vez e de formas diferentes.

#002370 – 24 de Novembro de 2025

Trinta anos depois, acordo em Fátima, ao lado do santuário. Desta vez ateu.

#002369 – 23 de Novembro de 2025

Victoria Canal a adocicar-me as últimas horas de trabalho do dia.

#002368 – 22 de Novembro de 2025

Café gratuito da empresa a deixar mau sabor na boca. Música do Rabih Abou-Khalil a acordar os afluentes todos da beleza.

#002367 – 21 de Novembro de 2025

Sentado no segundo autocarro a caminho do trabalho, reparo que me enganei e trouxe iogurte líquido de banana. Detesto banana. Fico desiludido, mas um par de minutos depois decido enfrentar o meu amuo e beber o iogurte, o sabor na boca depois haverá de passar. Ao primeiro gole, surpreendo-me: não é assim tão mau. Continuo a beber e não me sabe a banana. Vou bebendo e tentando perceber o que está a acontecer. Ao terminar, tenho um palpite e ponho-me a ler o rótulo. Este iogurte tem uma série de ingredientes, mas nenhum deles é banana. Não admira que o tenha suportado tão bem.

#002366 – 20 de Novembro de 2025

Boots on the Ground, de Massive Attack e Tom Waits, é um retrato de uma América com demasiadas semelhanças com a de The Plot Against America. E é também um tributo às vítimas e aos que resistem à máquina opressora daquele império decadente. As fotos de thefinaleye são duras, belas, rasgando uma ferida que só se cura com a rebelião e a solidariedade.

#002365 – 19 de Novembro de 2025

Cinco anos depois, Bem Bonda ainda soa melhor. Quando será o próximo álbum da Criatura? Queremos que a música portuguesa continue a renascer.

#002364 – 18 de Novembro de 2025

Nem toda a melancolia é má. Heligoland foi o último álbum dos Massive Attack. Está infectado de uma beleza nem sempre frágil, uma energia ainda dançante que se auto-embala. É, pode dizer-se assim, um discurso melancólico sobre um amante cuja perda se lamenta já, com a distância tão curta e intransponível de quem ainda com ele partilha os dias. Um amante que se habita ainda, um amante chamado mundo.

#002363 – 17 de Novembro de 2025

Os primeiros segundos de Belly Up, dos Moin, conquista-me de imediato. Nem escutei ainda o saxofone e já “See”, a primeira faixa, se me entranhou. Quando entra a voz de Sophia Al-Maria, pouco depois, estou perdidamente perdido, apaixonadamente prisioneiro, desorientadamente dançante.

#002362 – 16 de Novembro de 2025

Uma coisa que o Filho da Mãe, o Julius Schwing e eu partilhamos: em algumas gravações de guitarra acústica, escuta-se nitidamente um ruído que parece respiração mas é o som das nossas mãos ao raspar na madeira da guitarra.