Kroeber

#001380 – 15 de Junho de 2023

É este o número de quilómetros da Tour Divide: 4418. Quatro mil, quatrocentos e dezoito quilómetros. Corrida que começa em Banff, Alberta no Canadá e que atravessa a Great Divide Mountain Bike Route (GDMBR) até chegar à fronteira com o México. Este ano, a recordista feminina, Lael Wilcox, partiu com o objectivo de quebrar o recorde absoluto, que é de 14 dias 16 horas e 36 minutos. 309 quilómetros por dia.

#001379 – 14 de Junho de 2023

Alforges, tenda, ferramentas, cantis. A bicicleta veio do mecânico e está quase preparada para os cinco dias de viagem pela costa.

#001378 – 13 de Junho de 2023

O tempo avança. Quando olho para trás, meço-o como o volume da minha distração. Se o observo, ansioso, desacelera. E quando, envelhecendo, estou ocupado a viver, na intensidade de existir, esvai-se da ampulheta. É quase imaterial, é apenas a memória de já ter passado.

#001377 – 12 de Junho de 2023

King Gizzard & The Lizard Wizard, flores de curgete, requeijão.

#001376 – 11 de Junho de 2023

Surf em El Salvador, domingo de preguiça, ukulele baixo.

#001375 – 10 de Junho de 2023

Espero os alforges da forqueta. Em breve a bicicleta terá capacidade para viagens de várias semanas a fio. Quero pedalar 871 kms até Sagres.

#001374 – 09 de Junho de 2023

Desde criança que não gosto de câmaras. Assim que uma objetiva me é apontada, desaparece o meu sorriso. Primeiro foi porque tinha vergonha dos meus dentes. Mas mesmo dentro de algum tempo, quando o aparelho corrigir o que em criança me envergonhava, não acredito que as coisas mudem. Não gosto de me ver em fotos ou vídeos. Há, na verdade, muito poucas fotos minhas. Em 47 anos, não sei se recolhi 47 fotos. Não me fazem falta. Para mim o gesto de fotografar é o de apontar a câmara em frente, não o de apontar o telemovel a mim mesmo. Recomeço, gosto muito de câmaras. Gosto de fotos. Principalmente aquelas em que não há vestígio das minhas trombas.

#001373 – 08 de Junho de 2023

Hoje houve mais um ataque, de um homem, a pessoas inocentes, incluindo crianças. Talvez terrorista, talvez louco. Mas é um homem. A violência extrema, seja dentro de portas, contra pessoas próximas, seja fora de portas, contra desconhecidos, seja em escolas e outros espaços públicos, contra pares, é muito mais comum vinda a partir de homens. Não faço ideia do que isto significa, mas é impossível ignorá-lo. Se houvesse forma de educar melhor os homens, de evitar tão exageradas expectativas de expressão masculina, em que a violência é ingrediente, talvez isso tivesse um impacto positivo. Não faço ideia. Sinto-me cansado de mim. Não tenho, hoje, paciência para as minhas insuficiências e limitações. E as notícias que me entram em casa pelo ecrã são desoladoras. Tenho vergonha do meu género, da minha cultura, deste mundo. A única solução é criar laços com pessoas de boa fé, recusar a violência, não desistir. Não há outra forma, há já demasiadas coisas a correr mal, resta-nos a mais frágil das utopias, o amor.

#001372 – 07 de Junho de 2023

Nova viagem a pedalar durante 5 dias, em breve. Bicicleta a afinar e limpar, no mecânico.

#001371 – 06 de Junho de 2023

Surpreendi-me. Uma faixa para bicicletas, do tamanho de uma faixa de automóveis, segue da Arca d'Água até à Avenida da Boavista, quase ininterruptamente. Mostra que e possível fazer no Porto aquilo que só esperaríamos de países como a Holanda ou a Dinamarca.